o menino que inventou

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Fim de semana

Sábado chegou e trouxe um sol bem quente.
Na sombra e só, também brinco contente.

Capa de Fim de semana: uma menina se espreguiça ao acordar, com um saruê ao lado do travesseiro.

O livro

Dois dias na vida de uma menina, dividida entre estar só e acompanhada. Ao seu redor, um elenco de bichinhos que torna essa escolha ainda mais divertida. Tudo narrado em poesia.

Ela mora numa cidade pequena do litoral. Vai ao parque cheio e depois procura um canto sossegado. Constrói castelo de areia com a melhor amiga, mas briga com ela por causa de um coral. Ninguém precisa lhe explicar a diferença entre solidão e solitude: ela vive as duas ao longo de dois dias, e descobre que uma não desconstrói a outra.

O texto obedece ao mesmo esquema métrico do início ao fim: decassílabos. O livro tem uma leve batida, e ler em voz alta vira música. Passa voando como um bom fim de semana.

“A vida é feita de ritmos. E este livro, de maneira leve e despretensiosa, com a voz de uma criança e em sintonia com os bichos e a natureza, chama os leitores para perceberem seus próprios ciclos de recolhimento e expansão. Afinal, todos nós gostamos do encontro e também de ficarmos sós, não é mesmo?” Roberta Malta, no texto de contracapa

Por que escrevi

Sobre a minha caverna

Este livro nasceu de um dilema pessoal. Sempre fui introvertido, e passei anos aprendendo a navegar num mundo que valoriza a extroversão. Eu queria escrever sobre a minha caverna, mas sem peso, sem explicação, sem lição. Queria levar leve.

Fui procurar na fauna brasileira quem também se entoca. Escolhi o coelho, o saruê, o caracol, o João-de-barro, o caranguejo e a tartaruga. Esses ciclos de recolhimento e expansão fazem parte da vida de todo mundo, e veio naturalmente a ideia de sintonizar o ritmo dos bichos com o da menina.

Daí foi costurar as camadas: os animais, o irmão caçula, o caderno de desenho, o amor dela pelos bichos. E a brincadeira com o tempo, que sempre me encantou: o tempo que demora, o que acontece lá fora e o que voa como um fim de semana.

Nasceu um livro leve, que brinca com uma emoção comum e às vezes difícil: precisar estar só, ou ter que estar acompanhado. Como quase tudo na vida, funciona melhor com equilíbrio.

André Garcia segurando um exemplar de Fim de semana, numa livraria.
Foto: @fasttime.mobile

As páginas

Cada dupla é uma cena inteira

A menina e o pai no carrossel de um parque de diversoes cheio de gente. No mesmo parque, a menina senta sozinha num banco, de fones de ouvido, e o caracol se fecha na casinha. A familia atravessa a estrada de bicicleta e um passaro voa ao lado da menina. Chegando em casa no fim da tarde, as bicicletas entram na garagem e o Joao-de-barro entra no ninho. A praia lotada de domingo, vista de cima, cheia de guarda-sois coloridos. No quarto, a menina mostra um desenho de passaro para a amiga, sentadas na cama. A ultima dupla: a menina flutua entre uma baleia e outros bichos desenhados, no sonho.

Como o livro foi feito

Uma série de bons encontros

Um livro não nasce de uma pessoa só. Nasce de uma série de bons encontros, e entre a minha primeira ideia e o livro pronto, muita coisa mudou em mais de um ano.

Foi a Poliana Abritta quem me levou até a Roberta Malta, que entrou bem cedo nessa história e nunca mais saiu. Fiz um trabalho de “acompanhamento de escrita criativa” com ela, que libertou a minha arte e a criatividade que passaram quase 30 anos no “cativeiro corporativo”.

Com o roteiro e texto prontos, tentei formar parceria direto com ilustradores: troquei mensagem com quase vinte profissionais. Cheguei a fechar com uma ilustradora incrível, que teve que cancelar na véspera de começarmos, porque se enrolou com outros projetos. Quando joguei a toalha, a Roberta sugeriu mudar a direção e conversar com editoras.

Uma delas era a Rosane, da Editora Cambucá, que faz uma curadoria muito cuidadosa do seu catálogo. Ela provocou muita liberdade para a ilustradora criar, acompanhando de perto a harmonia entre o que a imagem contava e o que o texto e o roteiro traziam. E ainda me fez um desafio, deixar todos os versos em decassílabos. Não foi nada simples, mas ela foi me orientando até chegarmos neste objetivo.

E foi a Rosane que trouxe a Isabela Coimbra para o projeto. Me apaixonei pelo seu traço na hora: a forma como deu vida aos personagens, as provocações criativas, o jeito que as ilustrações parecem uma câmera em movimento, a costura dos detalhes espalhados pelo livro. Fiquei feliz que esta série de encontros tenha me levado até ela e muito orgulhoso do resultado.

Quem desenhou

Retrato de Isabela Coimbra.

Isabela Coimbra

É uma jovem ilustradora nascida na Zona Norte do Rio de Janeiro. Incentivada pela família, desde pequena tinha o desenho como atividade favorita. A ilustração surgiu com o nascimento de sua irmã mais nova: foi contando histórias para a pequena Marina que Isabela passou a observar cada imagem que folheava nos livros infantis. A cada nova leitura, mais um detalhe sobressaía, como se a leitura fosse infinita. Não resistiu e passou a dar vida aos sentimentos em forma de traços e pinceladas.

A partir daí, ilustrou livros no Brasil e no exterior, entre eles I Know I Love You When… (Bear Tale Books, 2025), A aventura do coelho (Asinha, 2024) e A menina e a pipa (Cambucá, 2020).

belailustra.com  ·  @belailustra

Quem publicou

Editora Cambucá

Editora independente do Rio de Janeiro, com catálogo voltado a poesia, contos, crônicas, romances e livros para a infância. Trabalha com autores independentes e cuida do catálogo um a um, o que explica o tempo e o cuidado que este livro recebeu. O lema resume bem: “nós acentuamos a sua leitura”.

editoracambuca.com.br  ·  @editora.cambuca

Ficha técnica

TítuloFim de semana
TextoAndré Garcia
IlustraçãoIsabela Coimbra
EditoraEditora Cambucá, 2026
ISBN978-85-53110-47-6
CategoriaPoesia / Literatura infantojuvenil
Faixa etáriaA partir de 6 anos
Formato16 duplas ilustradas · 40 páginas · 20 x 20 cm
Preço de capaR$ 69,00
Lançamento24 de outubro de 2026

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